Era uma poetisa meio louca,
às vezes se punha a olhar as flores e os pássaros,
esquecia-se de que estava viva.
A natureza inteira vibrando
e ela, ali feito uma pedra, imóvel, encantada,
a espera, só Deus sabe do quê!
E, quando conseguia se mexer,
corria para seus velhos cadernos
e escrevia dias sem parar...
Esquecia-se de que estava viva.
Até que um dia, a morte a levou, de fato,
Na mão, um caderno já amarelado pelo tempo
com um poema inacabado:
tenho buscado o amor que perdi,
mas começo a me sentir cansada, enfraquecida
Já não aguento mais tanta espera, tanta solidão!